- E ahe, Pepê, de boa?
- Fala Cristovão. De boa, e tu?
- Tranquilo também. E ahe, essa excursão pro Carnabrasil sai ou não sai?
- Então mermão, já consegui o patrocínio do rei, e fechei 3 navios. Já tá tudo lotado, mais de 1500 cabeças. E o cara ainda vai contratar umas bandas africanas pra tocar.
- Caralho mermão, imagina. Aquelas índias todas safadinhas e os africanos comandando o som. A galera vai enlouquecer. Pode se preparar, véi, porque todo ano nego vai querer ir pra lá.
- To ligado, véi. O problema é a Isabel, aquela encrenqueira.
- Ah, relaxa, aproveita a parada, se ela te largar, tu se dá bem no carnaval. Fiquei sabendo que o Bloco dos Aymorés é o mais doido, dizem que as índias são as mais safadas, chupam até os ossos.
- Então, é pra esse bloco mesmo que eu vou...
Pois é, meus caros, como podem observar, a história do Brasil não é bem essa que vocês estão acostumados a ler nos livros lançados por aí. Cientes de que aqui rolava um puta carnaval, o rei portugês fomentou o turismo, investindo pesado em infra-estrutura, contratando as melhores bandas de axé da África, organizando os blocos índigenas e trazendo os foliões portugueses. Pronto, as bases da nossa miscigenação estavam lançadas, era só deixar rolar. E o resultado é isso que estamos vendo agora: um país colorido, alegre, onde tudo acaba em carnaval, quando não em pizza, trazida pelos foliões italianos, que só descobriram essa beleza séculos depois.


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